"Aqui se faz, aqui se paga" digitado na página de pesquisa. Então, era o que chamavam expressão homófona, pois não era o que entendia, mas convinha. Enfim, um trouxa falava de um problema potencial para quem ouvisse resolver. "Passa, senão problema."
Não gostava de poder morrer vendo problemas sem origens fortes de solução distante. Nem queria ter de ingerir arsênico por alguma surpresa. Contudo, se não estivesse a ponto de morrer não se moveria. Precisava de palco onde pudesse continuar depois do show.
Levantou-se para experimentar todos os quitutes que levara numa passagem atribulada no mercado. O primeiro tinha gosto de leite com pasta de dente infantil... O segundo tinha gosto da descrição da embalagem mesmo, comum a ponto de decepcionar. O terceiro tinha gosto de... Não soube porque uma coisa tinha de ter gosto de outra para que sentisse. Concluiu que inegavelmente tinham gosto de outras coisas, não importava o que houvesse experimentado primeiro. Ingredientes óbvios pareciam em lugares diferentes.
De resto, esperava que não merecesse seu amor por este ser agradável demais, e não castigo.
Tinha de tentar a verdade em voz alta numa oração que alcançasse algum juízo. Mas relutava em admitir um copo quebrado; a roupa molhada, o sofá manchado. Estirada no chão, quis diluir os dias ouvindo músicas que evocassem corrupção, desde regressão à ingenuidade e sua comparação com desvios acres por ecos debaixo d'água até o que realmente não conhecia.
Reset. Iminente morte pela noite. Escorria pelas mãos. Computador agressivo perguntava sobre iniciar-se normalmente sem um consenso sobre esse paradigma. O próprio perfume a incomodava. Parecia ter errado na frescura.
Óleo de amêndoas para a pele estriada, de varizes imaginadas. O perfume rosado a prevenia de sua inveja de quem conseguisse não desgastar tão rápido seus móveis e seus compromissos e controlar a vontade de jogá-los fora. Previa inveja de quem não pensava nisso. E de ser imune a ela mesma.
Estar distante do admirável, que a evitava declaradamente, diminuía seu remorso entre o quê deprimente de ver-se descansando sobre a mediocridade alheia enquanto descansavam sobre a sua. A dignidade era mais rara, mas não se submeteriam à sua elegância. Levaria um susto se realmente olhasse, desviou os olhos de alguns corredores que obrigassem-na a entrever a variação da sentença.
Poderia jogar-se nos braços de outra que soasse doentia, contemplando-a no elevador. Como se doente ela parecesse "mais viva ainda".
Não sabia se queria desculpar-se. Se queria que alguém mudasse de ideia, fosse facilmente convencido. Nem queria um mundo persuadido desse orgulho. Queria que compreendessem a demanda de ser muito mais honesto.
Testava uma ideia. Mudava de ideia ou não. Não ousava postar-se no próprio lugar. Era mais um momento no qual a genialidade latente podia mediocridade permanente. Desejava ver a mancha mudar o equilíbrio do quadro, mas se mostrava intacto nas evidências que colhia. O que cabia num dia, de dizer, de enlouquecer pelo contrário, desafiar mentiras a se revelarem? A falsa acessibilidade de e-mails e telefones, que ela lembrava menos como usava, ainda deveria ser utilizada. Sabia fazer tarde demais o receio pelos olhos e era só o que pretendia. Por sua vez, mergulhava nele, pois não os sentia.
Palavras infrutíferas pela tensão. Quem calava mais? Seus cortes estavam mal cuidados. Não admitia intermitências depois da espera e a hesitação se estendia por semanas. Era simples: assumir era mais difícil.
Inflamava.
Liga que fazia bolha explodia pegajosa.
Queria partir-se.
Cítrico sobre o aroma marrom das castanhas.
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