Ele nasceu no meio e se alimentava do futuro que previa enquanto diminuía. Fazia desenhos detalhados da vazão dos movimentos antes dos quadros, então desgastados por intempérie. Que os sapatos mais bonitos machucavam não era verdade, mas aquele era bonito e machucava. Os pés temiam o contato gélido do chão.
Carvão que desistiu do verniz pelo preço na sacola, as estantes não estavam vazias pelos papéis acumulados num canto. Era parte do herói que não se contava. Esperava que outra existisse nas gavetas opacas à espera de sua curiosidade.
A abóboda de seu ser estava entediada de suas costas recurvadas. Distorcia a própria compreensão procurando calma. O deus ex machina da materialização se fez em forma de ruga na testa com demandas de renascer no meio.
Se era para levar tão a sério os mínimos contratempos da realidade, deveria ter surtado quando aventureiros o gritaram da janela, de um navio que deixou zarpar para seu paralelo seguir. E no mundo paralelo outra versão dele fazia o mesmo. Confundia as peripécias com as câimbras. Por volta de maio o vento batera a porta da astronomia e da engenharia mecânica, deixara ser astronauta para um irmão mais inteligente.
Chá de açúcar; não experimentou aquele sachê. Saquê da outra banda onde deixou seu juízo esparramado, encomendou cicatrizes de duração, para colecionar pontos de dilatação. Mas o correio também estava atrasado.
Saía mais sangue da customização. Seus bolsos mal costurados deixavam fichas saltitarem deparando as oportunidades virarem arrependimentos enquanto os arrependimentos viravam oportunidades sem poder acompanhar o movimento.
Seus ossos, no fundo da piscina dentro dele, eram atraídos por um lago sedimentado com desejos de novo rio.
Certa vez fora meio que se alimentava do verbo do amanhecer, era crepúsculo que atraía o cinza. Vazava vento que espalhava fumaças densas. Mas continuava opaco, pois soprava para longe. E sem se distanciar a tempo poderia abalar poeira de seu nariz e sua garganta. Quando esbarrou noutro corpo estação, clareou que era noite ao mesmo tempo; não se reliam; se repeliram sem se ver madrugada.
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