Pedi para ter um sonho que cutucou minhas costelas para girar meu tórax. Minha visão suspensa em delay: ao lado do caixão onde eu descansava, distraída ao anotar uma piada qualquer como uma pista que eu precisava, uma flecha, depois de me atravessar, apontava onde eu queria pousar. Acordaria para impedir que não se repetisse a descoberta tardia. Mas a linha de acontecimentos tinha detalhes mais atraentes. E segui cada um que conturbasse minhas vontades.
Intrigante nota para um diário público invisível: esquecia a regra básica do escritor de ficção de nunca transcrever o que conhece de realizado ao redor, como pleonasmo ou placebo. Lambi o vício de contar histórias de engolir enquanto ponderava não engolir as de contar, e as engulo até contá-las assim.
Minha visão suspensa em delay tinha deja vu. De dentro se conhece então quem assistia com atenção aquele que entrou. Havia para lembrar dessa beleza a distância abandonada ao inchaço que sempre achei que o perto ia durar. Eu lembro para perceber o perigo de estar fazendo o mesmo com o freguês da rotina que a gente se esbarra hoje, transeunte-não, volte aqui, ou me lembro porque está simplesmente perto? cada um dos dois? Na iminência de perceber a minha deixa de aproximação. Ele sai da sala. Alerta transeunte-não.
Eu saí do sonho de típica ambivalência das indiretas e do lado de fora corria atrás de outra pessoa no círculo do mundo que eu conheço uma pequena curva. Lá na frente alguém corria atrás de mim. Quanto mais perto dele, ele longe de mim e vice-e-versa. Eu dizia "Carmesim!".
Dor nos ombros de onde vinha. Eu era um cubo de gelo - termo manjado na não realidade que barra fazer poesia quando esta não se enfia pelo nariz e rasga as desculpas esfarrapadas. Os dados me jogaram e não fiz a escolha. Ele saiu enquanto eu hesitava no chiclete no meu sapato.
Precisaria deixar um toque que se fizesse presente no quarto, por onde apareceria de noite. Nem a flor que eu tirei do arbusto serviu para sacrifício. Não guardou as marcas que derrubei durante o dia. Meia-volta para buscar meu assédio pela rua quente. Que eu sei que falta saber o tipo de companhia que ainda se escolhe o sabor, para que cômodo me leva. Que eu quero me ajustar na mudança.
Ao sair, a morte parece o anfitrião mais gentil do amanhã. Meu corpo perto, eu vejo desgastar-se. E o medo se faz meu vestido de cores, tecidos, cortes e decotes variados. O caimento da tarefa na qual faço hora estendendo a volta para casa são coisas que eu tenho de pegar no chão. A próxima parece tão diferente quanto o horóscopo do jornal porque meu signo é outro.
Eu sabia, mas só fora da aula de tópicos de conselhos ruins; esteve implícito que a burrice que eu soubesse não era novidade. Nunca tinha sido questão a dificuldade quando corria o risco de me ver atrás do que não sabia antes. E ele saiu da sala quando parei ao lado do caixão criógeno defeituoso.
Eu tinha de cuidar de animar ideias, sem ruídos. Ele disse que ia viver os ruídos até o fim. Eu fiz mais um: "Vivas elas morrem". Sempre me embaraço antes de lembrar que não dá para saber se do belo casal entre os vultos a morte não é a moça bonita e a vida é o cadáver, aquele esqueleto que me seduz primeiro.
Guardei meu caixão dentro de mim. Numa balsa.
Entrar pelo cheiro de ferro do sangue na boca é uma música inédita na garganta que puxa as veias dos pés. O gosto de sangue era sujeira na minha mão que eu buscava. Plantando afago por um monte de gente-monte. Como o presente que leva a carícia de volta na febre que planta o vírus.
Só entrou no meu corpo quando disse que sabia que eu tinha controle da bagunça que fazia. Uma reverência de cada vez; uma de mil. Caso necessário, adicione-se o cheiro de baunilha e morango do seu perfume. Um fumo do qual solto fumaça ainda agora.
E eu precisava devolver aquele beijo distante. Fazer a bagunça de uma mordida que não conseguiria começar sem ser grande. De um lugar cheio de orgulho, fora de mim; o tanto que sinto o que sei fora do quanto sei o que sinto. O desafio também era apostar que por ali eu continuaria viciada por ser o pecador que se firma nas próprias dúvidas. Como as luzes apagadas na volta para casa. Quando começaria outro dia no fim, na minha troca de roupa. Sem. Nesse beijo distante. Que decepciona. E no qual senti seu fôlego devolver o medo que eu tenho dele em relevos. Relevos.
Quando reparei a primeira parte da conta tão lentamente, a bagunça já era grande, a calma estava escorregadia. Escrevi de caneta que eu queria reclamar no seu ouvido e arranhei meu rosto no batente da porta. Então quebrei louças lascadas para vestir o gosto dos cacos na língua e pensar o que não foi suficiente, mesmo do começo, desse meio.
Nenhum manipulador de linhas vermelhas queria que eu prestasse para guardar inibição. Mas que fosse como um gato preto que de bonito arranhasse e se achasse bom. Antes engoli uma sereia de água ardente que se contradiz.
O grotesco dessa moda é só uma parte pequena dele. Eu vou antes do que é a minha parte, é quando minha boca tem gosto de nada.
Tira esse granizo de confete da minha frente.
Por aprovações e desaprovações de preocupações, fecho os olhos com medo de titãs de carne azeda. Das viagens que mandei no meu lugar ainda lembrava a assombração; Ameaçavam soltar-se das correntes contando boatos de maldição de que não mais seriam capturados e contidos. Esquecera-me de conversar com estrangeiros mais do que organizá-los numa prateleira onde são minhas cristaleiras e eu deles. As pragas mais convincentes devoravam parte de mim, convidando-me a devorar a viagem que só eu conhecia das minhas. Mas ainda me tinha na boca magenta. Que eu era planta para carnívoro. Era carne para vegetariano. Sacrifício da flor que eu sou canibal.
Meus colegas entorpecidos invasores de fôlegos nunca foram tão fracassados quanto eu tenho de disfarçar. É falso diário, como as pinturas de tempos atrás do Egito. Não posso escrever coisas tristes e não posso deixar escrito nada que não seja verdade.
No discurso me pediram para não tirar tudo e ainda colocar uma coisa de cada vez num código pré-execução. Meu dedo deslizava sobre a paleta insinuando-se corajoso como um canalha de muitas desculpas. Por cima das cicatrizes tinha tinta de tatuagem que desfiei da minha saliva. E quando me pedisse para explicar o que queria realmente dizer, eu não sabia mais calma.
Agora as escolhas fracionadas que eu fiz, sem ver enquanto procurava do outro lado, talvez me ponham numa das brincadeiras de rabiscos de mim. E eu ainda não sei. Qual. Só sede da bagunça que não sei não pisar no estopim de fios secos. O fim é da sensação primeira que escoa. Não sei a explosão do estilhaço. Mas senti seu fôlego devolver o medo que eu tenho dele.
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