Durante uma tarde quente um rapaz ensaiava uma apresentação; com ela ou outras, abrir a existência de algo que ainda não era ou a não-existência do que era, aprendendo sobre o medo dessa força. Noutras salas, outros rapazes; também espalhados fora delas.
Nos corredores, pátios e cantinas para alguns sujeitos, a meia pausa de maiores convenções e conveniências lembrava a obrigação do que era estar sozinho e ainda bem. Antes de descobrir seus olhos livres de outros olhos, o abandono das coisas morria para colher os frutos disso. De modo que o que ia bem e sua ausência eram um só dividido por arbítrio desconhecido.
Como que por um ventar de janela, uns acabavam por notar outros rostos. E, cercados por frescor como feriado, podiam fazer o trato de conversar qualquer coisa que realmente pensassem nesse ínterim.
Talvez fossem coisas de um dia tranquilo enquanto os olhares mudam. O estranho que não pudesse sair era por isso e, como não o seria de verdade, o que guardava era surpresa. Não havia como desperdiçar o dia de um diálogo. O rapaz era vivo desde a solidão.
Saiu de todo quarto, subindo no palco sem palco. Ousando abrir o que o comovia para comover as partes que pudessem emergir do que estivesse adormecido entre um e outro. Contava a solidão que fosse boa de uma viagem que se contasse em nova companhia, quando encontrassem a solidão do acaso.
Nervoso da parte que queria um tablado, gostava de poesia que fosse feita de um cumprimento, e de dar toda vida nela guardada, como pólen que se dispersasse ao vento. Acabava por estranhar o pretexto de palco para que se realizasse sua intimidade. Assim como a que fosse mostrada sem sair do papel de voz fraca. Usou as palavras que viu para ser o que fosse sem ter medo de que fosse só. E viu nos olhos de quem as ouvia as que então usaria para contar-lhes.
E os que se juntaram para proteger caminhos frágeis entre distâncias incontáveis, fizeram da rua um salão que era palco de cada um. Convidavam quem passava para dançar numa performance, que, como performance, eram apenas vivos. Reverenciando quem era e abria o ser de outras coisas. Curvados eles mesmos a natureza que os abençoava com sua passagem por eles assim.
E quando outro acordou enquanto acordava, o rapaz se assustou com a ordem do próprio receio:
- Deus queira que meus olhos não se tornem famintos que vão embora se alimentando de outra solidão - proferiu enfático pela fé devido a preocupação.
- Que deus seria esse? - indagou um dos companheiros desconfiado de que o outro se esquecesse do que ele mesmo não sabia.
- Deus! - assoviou procurando em redor. - Aonde fostes? - parecia vê-lo escondendo-se e reaparecendo, como talvez sem querer uma pluma fugidia no ar. - Te busco nas nuvens que surgem e se dissolvem em ondas. E aqui embaixo, nas sombras dos bosques cercados. Por vezes penso ouvir soprarem-me a dança que persegue as sensações que vós soprais desde fora por dentro do corpo. Quando o percebo invisível para que a ambição não censure meus olhos.
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