sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Cartas para a contemplação


No caminho de qualquer dia Amaro pisou onde de repente não se aconselharia. Ninguém poderia saber o que fora aquele segundo na esquina onde poderia ter sentido um calafrio que o solo também não era nada, mas tudo que se encontrara naquelas coordenadas foram atingidos pela faísca que resultaram ou pela qual simplesmente foram. O ar que passou por seus pulmões diferia de outros suspiros seus.
Carregava consigo uma garrafa com uma mensagem. O papel e a letra não se lembrava como eram.
E passou por algumas pessoas sem chamar atenção ou inspirar cumprimentos. Parou para falar a alguém que estava indo, e foi, sem estranhar nem perceber nada. E num segundo estava encostado tranquilo numa parede ou sentado em qualquer lugar distraído como se o que estivesse ali fosse simples e inofensivo assim como não grande coisa.
Rodeado de garrafas, entre elas um amigo seu passou ignorando seu sorriso bobo. E reparou como todos que passavam não conseguiam mover-se em sua direção, vendo-o e ignorando em nuance do que fluísse assim sim ou não contente.
A garrafa em suas mãos era o que tinha. Por um segundo não conseguiu se virar para o lado que queria. O ar em seus pulmões era outro. Coisas perto do ouvido estavam distantes. Tentou chamar atenção ainda assim. Ninguém sabia onde ele estava. Não sabia mais onde estavam. A garrafa em suas mãos era o que tinha. Olhando-a, meditava se não deveria ter vergonha de não estar ou de quem não o deixasse sozinho, de gostar ou não e estar sozinho ainda assim.
Estava dentro da garrafa. E tinha convicção de que preferia que olhassem seu nome e hesitassem. Porque ele hesitava tanto os nomes que ninguém poderia tocá-lo. O bilhete era o único barco que velejava por aquelas águas.

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