domingo, 8 de setembro de 2013

Desprendam-se da árvore e vão lá...


Ela estava imaginando, cheia de esperança, formas de recuperar cenas que podia ter vivido até agora e doravante. Desde algum tempo planejava gastar suas economias libertando-se do peso de mil amores platônicos. Mas há muito tempo não tinha um vislumbre, sequer um relance de alcance...  Ou... talvez... tivesse deixado passar uma vez uma  sobre aquela causa da sensação mais intensa e mais flutuante e que afinal parecia mais seu (pelo contrário) que se misturou e complicou com a presença de outro, desfeita toda a logística também pela outra companhia, feminina, tão diferente dela, mais imediatamente do que potencialmente.

Não apostara e agora tinha um bocado de moedas vencidas no bolso. Se não estivesse tão otimista, empenhando-se  em redirecioná-la, a intensidade de sua esquisitice pareceria doentia. E a oportunidade de gastar as moedas requeria o esforço gigantesco de dar atenção a diversos elementos da vida ao mesmo tempo. Seria ótimo que pelo menos a convicção de tal necessidade durasse para que se desenvolvesse e não submergisse e emergisse tão contraproducentemente... Se  ouvisse aquela música choraria de novo? Retomaria sua conexão poética com o mundo, sendo a consumação da iminência da natureza, com o sentido de tal produção? Narrando por tal força sem se esquecer de estender-se. Estender seu nome até... Se pensasse tanto assim numa coisa, poderia se aproximar dela? Estaria chamando de longe de modo ao menos um tantinho eficaz? Nos seus delírios fabulosos havia algo que julgara plausível e que bebendo dos seus devaneios, que lhes deram nome, esses belos fantasmas deveriam ir até o estopim de seu tormento fazê-lo sonhar com ela e fazer com que ela sonhasse de volta com a própria arrogância e egocentrismo displicentemente esperançoso infantil.

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