Quando
via algo que lhe interessava bastante, já não sabia como reagir. Sonho,
obsessão, não sabia; mas afazeres. Um rapaz a quem não conseguia cumprimentar
mesmo que sentasse ao seu lado ou olhasse para ela. Seu nervosismo a levava a
tentativas vazias de encontrá-los, que se repetiam em sonhos nos quais se via
falhar ao implorar o acaso, ainda resistindo à consciência da realidade. Era
ainda torturada por seus próprios pensamentos e sonhava muitas vezes que ele
era de outro mundo, como uma borboleta a ser capturada. Revoltava-se com o mau
funcionamento do serviço de encorajamento.
(Só
porque quem ouve acaba repassando algumas observações de outros e dele mesmo,
continuou ouvindo os lamentos da garota admitindo sua estupidez infantil, sem
poder apressá-la...)
Acordava
de olhos fechados. Sem querer abri-los, já que não compreendia como lidar com a
atração que sentia e sua insegurança, sua projeção em seu objetivo. Sabia que
tinha de ter o controle de si de volta, mas almejava que, se conseguisse,
tivesse o que quisesse, então seu controle estava novamente fora dela. Quando
sua determinação inflava e explodia. A sensação (inexplicável) da possibilidade
de que a vida estivesse mesmo presa dentro de outrem não cabia nela. E a moça
não poderia olhar-se no espelho como a pessoa que não serve nem a ela mesma nem
a nada. Com medo de descobrir a pior coisa, de ir rumo a essa conclusão
voluntariamente, sem ver, foi
parar naquele lugar silencioso, sem saber tanto como.
[...]
Nenhum comentário:
Postar um comentário