sexta-feira, 10 de maio de 2013

Cigarras


As cigarras zumbiam acima de sua cabeça. O barulho oscilava ao redor. Talvez parte dele se devesse aos condicionadores de ar barulhentos ou máquinas de algum laboratório do prédio ao lado. Não se lembrava mais do que o atraíra àquele lugar cheio de mosquitos. Talvez fosse só um bom dia. E uma bela vista então seria a tênue inspiração, a sutileza se mostrando como tal. E ele apreciava a vida alheia se desenvolvendo bem, como uma boa imagem, possivelmente porque assim era provável esbarrar-se com ela.
Os macaquinhos às vezes curiosos ou receosos o cercavam, mais interessados por comida. Na noite anterior esperara quase como naquela tarde. As cigarras eram como um alarme apitando. Estariam conversando? Antes aquilo do que murmúrios estendedores de tédio. Essa espera se devia as coisas em relação a ele sobre ele mesmo, em relação aos outros ali, em relação a todos ali, a todo mundo lá ou a própria coisa? Que coisa influenciaria a coisa criando que coisa nela?
Pensar tanto no tédio sem cuidado poderia lhe fazer mal. É uma ideia volúvel.
A árvore à frente lembrava suaves aventuras legítimas e as imaginárias como expectativas, insinuando sua madeira amarela mais atraente ao sol. Se subisse até em cima sabia que seria uma conquista, descobriria um padrão, teria uma saída. Sentia falta de palavras mais fiéis e aprofundava-se em seus delírios. Então se levantou para reservar o equipamento para estudo no fim de semana.

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