domingo, 25 de setembro de 2011

Azul incômodo quente



A tarde não parecia tão má. Era só uma parte alegre e suada do dia. O calor cobrava o suor da menina e dizia que era uma boa idéia correr por algum motivo qualquer. Mas estava sozinha e o trabalho de se movimentar só poderia ser mesmo ir para aula de esperar falar francês, de esperar usar.
Um pouco de sol ainda conseguia tocar sua pele, não havia dois lugares protegidos dele no ônibus. A lembrança dela ou qualquer pessoa lavando roupa, lavando a casa, molhando a barriga, os braços e as pernas sem querer não vinham más. O hidratante e a colônia ainda reinavam sobre o suor e o perfume das pessoas ao seu lado lembravam as outras, as que seria bom ter ali.
O céu, então, oscilava de azul incômodo quente a nublado sujo. Continuava o calor inspirador que dava milhões de sentidos alternativos para a tal da “chuva”. Mas seria bom sim ficar debaixo da água do céu pisando em lama gelada. Lama nos pés, nas pernas e nos braços e... talvez fosse bom, mas as minhocas e essas coisas sempre pareciam um problema. Ainda desmembraria, entenderia e resolveria o porquê desse problema. Porque ele um problema tão grande?
Quando o azul incômodo quente voltava, lembrava clube, grama, coisas de gosto forte e risos maravilhosament arrancados. Chegava a lhe interessar samba, pagode ou qualquer batuque “que chama menina pra roda, chame e faça ela entrar na roda que a gente fez só para vê-la dançar...”. Mas quando ia ao clube sempre chovia, o que poderia ser a dança da chuva que todos querem descobrir neste momento desesperador.
Ansiou por esbarrar em algum conhecido, num conhecido que pudesse conhecer melhor, ou num desconhecido interessante. Esbarrar num sistema tropeço, contato, apologia, contato, contato, contato. O que não aconteceu. Não calhou do universo montar o caso e mal acostumá-la.
E não poderia sobrar muito dos pensamentos alegres quando voltou para casa e o computador estava estragado, seu pai e sua mãe brigando e lá uma irmã obrigando-a a odiar e reprimir o tal do ódio transbordante. A chuva numa hora dessas só parecia combinar com ela sem chave fora de casa, à noite e a galera família num sono que merecesse como apelido “coma”. Mas continuaria viva mesmo depois disso. Porque a responsabilidade dela ainda era buscar poder para avançar além dos problemas que já tinha, e ainda (sim, por enquanto, por favor) eram maiores e mais fortes que ela.

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