terça-feira, 19 de agosto de 2014

E naquele dia enuviado

Descobriam-se alguns sujeitos se esquecendo de qualquer sensação que pudessem ter, gostar ou não, e ter esquecido. Um deles sentado numa cadeira com olhar distante, vazio de sonhos e realidades, não sentia a diferença do mover-se, contemplando fotografias que não compreendia.
Os doentes e os observadores eram os mesmos. E esse herói arrumava suas coisas pretendendo resolver algo tão urgente. Um jornalista queria explicar a história e começava a fazer anotações no quadro negro enquanto chamava alunos na porta. Mas, de malas prontas, o outro se achava sem tempo e foi tentar salvar o quanto pudesse, deixando quem gostasse guardado dentro da sala com um bocadinho de sol.
As escadas tremiam, as portas se fechavam ao alarde do perigo que se aproximava e ele ainda não sabia qual. Tentava tirar xérox de outras histórias para saber o que fazer. E como não conseguisse e procurasse entre cada vez mais folhas que então não serviam de nada, seus cartões de emergência não tinham mais validade. Lembrando de vantagens, simples meios, tarde demais e cercado de medo, ele saiu atravessando o corredor até a última sala. E enquanto se atrasava, mesmo imune ao efeito imediato da radiação, ele sofria com as deformações que surgiam de tudo que doravante se fizesse. E assistia sem saber o que ainda era e o que seria. O que fazia sofrer ou era a continuação, concretização de tal prenúncio, fosse pelo prenúncio, parecia sofrer ao fazer sofrer, também para ele mesmo, o fazer sofrer continuava enquanto ainda não sabia. 
Uma preocupação que me preocupa... fora de mim.

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